domingo, 4 de março de 2018

Massa de desejos

Sobre sonhos e realidades.
Sobre o tempo e a velocidade.
Sobre saber fazer e imaginar.
Sobre sentir e esperar.
Sobre odiar e querer apagar.
Sobre amar e deixar rolar.
Tudo parecia massa de pão para assar
sem ter o timer para programar.

Quanto vai durar? Vai assar ou queimar?
Deixa.
Uma hora o cheiro vem
e vai apontar.

E nessa hora, não haverá talheres, nem toalhas, nem copos, nem guardanapos.
Só a vontade de comer. Pura. Inteira. Gulosa.

sábado, 3 de março de 2018

Pontuações.

Ela começou a entender que a vida é feita de ponto e vírgula.
;
E as frases nunca mais tiveram fim...

E que como os travessões eram raros nos dias de hoje era preciso criar aspas.


Caixa de pandoras-palavras.

Podia ir ao teatro, ao cinema.
Ou café com amigo, ou coisa assim,
Mas era tanta, mas tanta palavra que tinha dentro dela
que estava com medo de, ao entrar em contato com o mundo,
se afogar em seus próprios pensamentos.
Era sentimento demais esmagado no peito. Era informação demais para digerir.
Era preciso colocar pra fora, abrir a caixa de pandora. Peneirar. 
Ela estava sufocada de palavras e tinha medo de morrer disso. 
Entupida de letras empilhadas garganta abaixo...
Era preciso pegar as palavras e reordena-las, com algum sentido, de alguma forma.
Cheias, rasas, curtas. Circulares. Todas elas. Mas alguma. Pelo menos uma.
Era preciso criar largos espaços. Amplos. Entre parágrafos.
Para, entre eles,
a palavra Esperança gravar. 

sábado, 7 de outubro de 2017

Sem censura

O meu amor é sem censura.
Ele pode ser raso ou profundo,
De noite ou de dia,
Com roupa ou sem.
Ele pode ser negro ou branco,
Homem ou mulher,
O que ele tem é aquele jeito de que quer.
Ele pode ser alucinado ou bem demorado.
Pode ser de passagem ou de vida inteira,
Secreto ou aberto.
Ele é o jeito que é.
Livre.
Aberto.
Meu jeito certo.
De amar.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Amor de sapo.

Ela se apaixonou por um sapo.
E ficou esperando que ele virasse príncipe.
O tempo passou, a pele enrugou.
E o sapo murchou.
Aí ela olhou de novo,
depois de um belo tempo,
pegou-o no colo,
e esperou.
E lá, entre uma pele seca e uma língua cumprida,
ela descobriu que amava o sapo exatamente como ele era.

Seco, molhado, desajeitado, feio, bonito,
coaxando ou em silêncio.

Mas com olhos, ah.... os olhos, mais lindos do mundo.
E isso, ela tinha certeza, não mudaria nunca.
Pois falava daquilo que os olhos não vêem,
mas que o coração sente. E muito.