domingo, 21 de dezembro de 2008

o quase começo

Eu tava de férias das férias.
Sem tempo de mim, sem ordem para entrar aqui.
Esse fim de ano parecia mais um começo.
Sem tempo, sem texto, sem nexo.
Tudo misturado aqui na minha cabeça.
Não havia lógica. Não havia ordem.
Um borrão.

Hoje é a última Gambiarra do ano.
E eu começo a organizar tudo aquilo que foi e ainda está sendo 2008.
Pret-à-Porter, Senhora, Antunes, Caminos, Tapa, viagens, O Ensaio.
Finalizações. Construções.
Maturidade.
Da vida e do amor.
O encontro do parceiro.
O encontro de mim mesma.
Os quase 30.

Mas não hoje.
Hoje ainda é 2008.
E ainda falta 1 noite para as minhas férias.
E tem festa, música alta e muita fila para organizar.
Muito amor para trocar e muita água para desabar!
Aí, então, quando o sol nascer,
vou fazer a minha lista,
como a da Érika,

com todas as loucuras que eu quero inventar no ano que vem.
Ou reinventar.
E fazer mais borrões
para depois organizar.

domingo, 16 de novembro de 2008

A foto da esquina

Hoje eu reencontrei um grande amigo.
E, naquele abraço, no meio da rua, eu percebi o tamanho do pedaço que faltava de mim.
E senti força. E coragem. E amor de irmão.
E um olhar, dizendo:
voa, voa "feia",
que eu vou tá aqui.
Sempre.
E eu fui voar - ainda mais alto do que antes.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Drummond...

"Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida. Se os olhares se cruzarem e, neste momento, houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d'água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês. Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente divino - o amor. Se um dia tiverem que pedir perdão um ao outro por algum motivo e em troca receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um pro outro. Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágrimas e enxugá-las com ternura, que coisa maravilhosa: você poderá contar com ela em qualquer momento de sua vida. Se você conseguir, em pensamento, sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado... Se você achar a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos emaranhados... Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite... Se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado... Se você tiver a certeza que vai ver a outra envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela... Se você preferir morrer, antes de ver a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida. É uma dádiva. Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro. Ou às vezes encontram e, por não prestarem atenção nesses sinais, deixam o amor passar, sem deixa-lo acontecer verdadeiramente. É o livre-arbítrio. Por isso, preste atenção nos sinais. Não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o amor."

verbo amar

Ontem eu aprendi que
amar não é verbo intransitivo,
como o poeta queria.
É transitivo direto.

Uma questão de escolha
entre o sujeito
e o objeto.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

quem pergunta acha

Quando eu era menina, eu queria ser repórter e atriz.
Hoje, aos 30, quero ser também ensinadora de falas.
Falas que as pessoas não tem coragem de dizer,
por orgulho
ou por medo
de amar
o outro
mais que
a si próprio.
E de perder-se.
E se esquecem que:
quem pergunta acha.

as ditas e não ditas

Quando eu escuto uma dor.
Ou um silêncio.
Eu duvido.
Aí eu escuto de novo.
(Para ter certeza).
Então acredito....
E isso dói.
E marca
com ferro
de boi.

Eu molho,
aí,
com pano ensopado.
O fogo apaga,
a fumaça sai,
mas a marca fica.

Aí eu fico
entre o arrancar a pele
e a pomada melada.

ou mato.
ou me-mato.

as parcas palavras-plumas-facas

A habilidade de um ser humano reinterpretar as palavras
é a mesma que a do ator que recria seus personagens.
É sempre um pouco mais...
ou um pouco menos....
Nunca exatamente como a gente escreve,
ou fala.

Eu busco falar a mesma coisa
em várias formas.
E sobre uma forma
várias coisas.
A primeira,
numa delas,
me desculpe.
A segunda,
eu te amo.

E, assim, eu tento aconchegar,
um pouco mais,
as palavras ditas
das sentidas
e sentir menos
as que são ditas
sem sentir.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

o enterro do menino

A Igreja parecia vazia.
A água benta jorrava.
E os mendigos continuavam
sentados
com seus pés tortos
e olhares secos.

Pernas apressadas
pedindo perdão
não tinham tempo,
nem olhar,
pra trás.

Corria solto o boato
de uma chuva
que vinha
limpar.
O céu,
negro,
gritava a dor
do velho
que via tudo
mudar.

Via os mendigos, as pernas, a chuva.
E as meninas de mini-saia a correrem quase nuas.
Via os bancos vazios, os vitrais coloridos,
e as santas
Anna
Maria
Beneditos
e Pedros
Via o caixão do menino que já não era mais.

E rezava.
Para a chuva chegar.
E levar....

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

o retorno

Hoje eu acordei com saudade de mim.
E vi que faz quase um mês que estou sem postar, sem escrever.
E percebi que escrever é criar um pouco de mim. Só para mim.
É um ato meu, de amor-próprio, individual, de auto reconhecimento.
De necessidade.
Descobri isso conversando com uma grande amiga minha escritora.
Portuguesa.
Então, resolvi voltar.
Para mim mesma.
Para conversar mais comigo,
mas também para inventar mais de mim também.
Pois, me disseram, que sou romancista.
Talvez seja por que eu gosto de inventar estórias.
Talvez seja por que eu gosto de vivê-las.
Ou de vivê-las e reinventá-las....

lavar pratos

Eu ando meio ovo...
meio omelete....
em busca de uma frigideira
que modifique meu estado eternamente.
Para que os pratos não fiquem nunca
eternamente limpos.

lavar pratos

Eu ando meio ovo...
meio omelete....
em busca de uma frigideira
que modifique meu estado eternamente.
Para que os pratos não fiquem nunca
eternamente limpos.

notificação de felicidade

Nunca escrevo testemunhos, mas agora não dá para passar:

Foram 1.400 pessoas na Gambiarra domingo passado.
3 pistas de dança.
Muitos amigos trabalhando juntos.
Muitos amigos se divertindo também.
Muitos sorrisos.
Muitas lágrimas.
E um puta astral no ar.
Inesquecível!

É quase a mesma sensação de comer
uma costela de boi
de 5 real
às 5h30 da manhã
no "buteco d'esquina":
indescritível.

sábado, 18 de outubro de 2008

desaguamento

Fina chuva
Lava o tempo
e deságua
o firmamento.

Derrete o asfalto
Leva a dor, a dor.
Um raio de amor
clareou.

Ilumiou.
A água.
Molhada.
Ilumiou.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Ai ai ai

Gosto do caminho mais difícil.
Sempre soube disso.
Mas ficar sem chão
já é outra coisa.
Cai.
Cai.
Cai.
Espero que coloquem uma cama elástica lá no fim.

refeita vida

Eu vivo a vida que me foi emprestada
E tento refazê-la, dia-a-dia.
Pois, quando eu tiver de devolvê-la,
eu quero saber porque ela me foi dada
assim assim.

pra de lá da virada

Há um lugar a minha espera,
Não muito longe daqui.
Onde as águas correm
sobre pedras
E encontram cachoeiras.
Onde os bichos
voam
E fazem cantoria.
Onde se pode ser
aquilo que se é.
Seja sol.
Seja lua.
Seja até
filho de jacaré
misturado
com pomba branca
e formiga saúva.

zigue-zague

Quando a gente desvia do caminho
é que percebemos que ele estava certo.

sábado, 11 de outubro de 2008

sonho de dois

anna gosta de prateleiras brancas e de vidro......
principalmente acompanhadas com furadeiras, pó, carretos bizarros, trânsito na ZL, frango catupiry, cama nova para deitar mais junto e amor que dorme aos trancos e sustos.....

mas...... em dias em que ele chega de longe....
só quando se deita
é que se dorme melhor......
dorme-se com cara de sonho....
sonho de dois.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

seleção

Eu presto atenção à minha tristeza,
mas dou bola mesmo é para
minhas risadas,
minha música
e minhas paixões.

sábado, 4 de outubro de 2008

Na descida da curva

"...
A minha rua é a expiação de grandes pecados
De homens ferozes perdendo meninas pequenas
De meninas pequenas levando ventres inchados
De ventre inchados que vão perder meninas pequenas.
É a rua da gata louca que mia buscando os filhinhos
nas portas das casas.

É a impossibilidade de fuga diante da vida
É o pecado e a desolação do pecado
É a aceitação da tragédia e a indiferença ao degredo
Como negação do aniquilamento.

É uma rua como tantas outras
Com o mesmo ar feliz de dia e o mesmo desencontro
de noite.

É a rua por onde eu passo a minha angústia
Ouvindo os ruídos subterrâneos como ecos de prazeres inacabados.

É a longa rua que me leva ao horror do meu quarto
Pelo desejo de fugir à sua murmuração tenebrosa
Que me leva à solidão gelada do meu quarto...

Rua da amagura..."

Rua da Amargura - de "O caminho para distância" - Vinícius de Moraes

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

milk shake

Ela tomou o último gole da cerveja que já estava quente e saiu.
Ele pagou a conta.
E eles nunca mais ouviram falar um do outro.

Depois de anos,

Ela achou que tudo tinha sido um sonho.
E tentava a todo custo descobrir por onde ele andava.
Ele, um pesadelo.
E deletou os emails, os telefones e as fotos do computador.

Eles se encontram anos depois numa lanchonete
E tomaram um milkshake juntos.
Ela pagou a conta dele.
Ele, saiu correndo.

E tudo ficou onde tinha de estar.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

milagres existem

Hj é dia....
de dedo quebrado/ressaca/bater a cabeça (todo dia!)/TPM/peitos doídos/cólicas/muita coisa para fazer/pouco tempo para realizar.

Aí é tempo de lembrar que tudo pode mudar, se a gente quiser.
E quem me lembrou isso hoje foi o meu amor.

Me mandou um link do blog dele....
Tá aí, postado há mais de 1 ano, para vcs conferirem que milagres existem
e nada melhor que rir de dias como esses!
E comemorar:
Os encontros que nunca ocorrem por acaso.....
A existência da Praça Roosevelt que permite que eles aconteçam....
E a teoria do caos......

http://simulador.zip.net/arch2007-06-03_2007-06-09.html#2007_06-07_01_56_50-100358526-0

("pequenos milagres")

variações do amor

eu gosto de
chocolate suíço depois do almoço
vinho depois do jantar
e sexo em qualquer lugar

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

a jabuticaba e a guerreira

A morte a visitava de vez em quando. Eram os dias dos sonhos conturbados e das respirações curtas. Sentia como se no meio do seu peito estourasse fogos de artifício com defeito. Era uma pipoqueira de jabuticabas.
Ela, nessas ocasiões, deitava, esticava os braços ao chão acreditando que abraçando o mundo ela se sentiria um pouco menos só. Em vão. Então, sentava e apertava as mãos fechadas. Gritava e dava socos. Para os cegos - ninguém via. Ela criava histórias e assassinatos e conversava com pessoas que não respondiam, e não via. Era uma maneira de despistar a morte.
Quando ela era criança ela aprendeu que a morte era uma mulher de preto e foice na mão. Com o tempo, ela percebeu que ela era a própria foice e que a morte era simplesmente a vontade de usá-la ou não. Ela era a morte. E quando se percebera, já deixava de ser no instante seguinte.
Pois, ser morte era tomar consciência da própria vida. E ela fazia isso consigo mesma com certa frequência. Ela precisava de meios de saber que aquela era uma vida real e não um reflexo de algo imaterial e metafísico. Ela queria a certeza de que estava viva.
Ela queria ser uma jabuticaba. Suculenta, grande, molhada - pronta para ser estourada. Um segundo antes. Em plenitude. Ela queria ser toda jabuticabeira. Ela irrigava ela mesma. Às vezes com lágrimas, às vezes com medos, às vezes com surtos. Ela precisa mudar o estado natural das coisas. Molhar, brotar, líquido-sólido: escorrer suas verdades para depois encontrá-las.
E foi-se. E fez-se.
Com o tempo, troncos duros e cascas secas se formaram. E as jabuticabas começaram a brotar de menos para menos. E quando nasciam, estouravam com certa velocidade. Era a morte em seus canteiros. Constante. Sem tempo da florada próxima. Eram os estouros para os caminhos arriscados. Era a certeza da luta. Era viver sobre a certeza da morte. Sem nada a perder. Era já uma guerreira. Com uma foice na mão e uma vontade de vir a ser. Fogos de artifício.

sábado, 13 de setembro de 2008

terça-feira, 9 de setembro de 2008

carretel de pipa

esta semana estou na terra.
de onde vim.
volto para as estrelas da capital em breve.
para onde vim.
de lá para cá.
de cá para lá.
metamoforse ambulante
sem Rapa para passar.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Lilith


“É difícil marcar o lugar

onde pára o homem

e começa o animal,

onde cessa a alma

e começa o instinto

– onde a paixão se torna ferocidade”.


Macário - Alvares de Azevedo

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

sabedoria

Eu conheci um menino que tinha medo da vida.
A vida
passou
o medo
continuou.

Eu conheci uma mulher que tinha medo da morte.
A morte
passou
o medo
continuou.

Aí,
conheci uma senhora que não tinha medo.
E que viveu 105 anos,
feliz da vida!

linha do tempo

A ação é palavra dita.
Futuro passado.

Arrota.
E amarrota.

Ou prende tudo dentro,
para fazer passado depois.

Futuro inventado.

o labor e a reflexão

Ando pensando
em deixar de pensar.

Porque quem muito pensa,
pouco faz.

domingo, 31 de agosto de 2008

o renascimento

Hoje já é novo
porque eu já estou mais velha
e tudo pode voltar a ser como era
e um pouquinho mais diferente.

O silêncio dos últimos dias
guardavam pedras preciosas
que hj começam a reluzir
e iluminar
todos a minha volta.

De volta,
em um ponto outro
que não mais aquele.

De volta,
E um pouco mais pra frente.

De volta,
E um pouco mais pro lado.

De volta,
E um pouco mais para onde quer que estejas.

O ponto de retorno para mais uma volta.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

TABACARIA - Parte 1

Ao mestre xamã:

"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é (E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
..."

Álvaro de Campos (F.P.)

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

a espera

Quando você chega....
nem chá, nem música,
nem texto, nem queijos.

Quando você chega....
nem dor, nem medo,
nem mau humor sem jeito.

Quando você chega.....
Eu me dispo. E me deito.
Em silêncio.

E te amo. Quando você chega.

não mais que de repente....

De repente,
a palavra.
Vidros estilhaçam,
Carros derrapam
e a vida
nunca mais a mesma.

Há uma cicatriz.

De repente,
outra palavra.
Se sai-se do corpo,
se olha-se.
E vidros e carros
são agora
só perdão.

E a vida vira
outra coisa:
uma feijoada requentada
feito com muito amor.

E muito mais saborosa!

sábado, 16 de agosto de 2008

À Dorival Caymmi...

Obrigada. Pelo o que já é eterno.

"Samba da minha terra deixa a gente mole
quando se canta todo mundo bole,
quando se canta todo mundo bole

Quem não gosta de samba
bom sujeito não é
É ruim da cabeça ou doente do pé

Eu nasci com o samba
no samba me criei
e do danado do samba
nunca me separei"

Dorival Caymmi

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Socorro...

"Socorro, eu não estou sentindo nada. nem medo, nem calor, nem fogo. não vai dar mais pra chorar nem pra rir. socorro, alguma alma, mesmo que penada, me empreste suas penas. já não sinto amor nem dor, já não sinto nada. socorro, alguém me dê um coração, que esse já não bate nem apanha. por favor, uma emoção pequena, qualquer coisa que se sinta, tem tantos sentimentos, deve ter algum que sirva. socorro, alguma rua que me dê sentido, em qualquer cruzamento, acostamento, encruzilhada, socorro, eu já não sinto nada."
Alice Ruiz

terça-feira, 12 de agosto de 2008

a música

A música é a melhor companhia dentro de um apartamento vazio.
Você pode rir, dançar e até chorar.
E ela nunca te manda embora e nem parar de falar.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

o verbo amar

Quando a gente ama, a gente é capaz de.....
Tudo.
De construir
De reconstruir
De destruir
De ir, de ir, de ir,
com alguém ao lado
ou dentro da gente.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

quinta-feira, 31 de julho de 2008

expectativas

"A vida se encarrega de colocar as coisas em ordem.
A vida é muito organizada."

Herói - O ENSAIO, de Jean Anouilh

por que falar?

As certezas afirmadas
por outrem
disfarçam
o nosso próprio medo
da morte.

Os medos afirmados
por nós mesmos
revelam as
certezas sentidas
por outrem.

sábado, 26 de julho de 2008

pés no chão

Quando se está fora de si,
o melhor é colocar sapatos de chumbo e pisar no aço.
E ajustar o espaço entre o pensamento e o movimento.
E caminhar.

solitária

Solidão não é algo que se fica ou se vai.
Nem se faz ou não faz.
Nem se tem ou não tem.
É algo que se está.

Eu estou.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

a estupidez humana

“Somente duas coisas são infinitas:
O universo e a estupidez humana.
E não estou seguro quanto ao primeiro.”

Albert Einstein.

sábado, 19 de julho de 2008

O ENSAIO


O ENSAIO, de Jean Anouilh
Em cartaz no Teatro Imprensa,
com o grupo TAPA.
Sexta e sábado, às 21h
Domingo, às 19h
R. Jaceguai, 400
Para ingressos com desconto,
enviar nome e dia para: annaju30@yahoo.com.br

A água, nada

"Jogo o tempo na água
E ele nada."

Marina Colasanti - Constatação Metafísica

quinta-feira, 17 de julho de 2008

o ser e o nada

"A existência precede a essência", já dizia Sartre.

o futuro

O futuro não existe.
Ele nasce e morre a cada instante que se vive.

Presente no instante que se pensa.
E ausente quando se pensa em outra coisa.

Ele nunca deixa de ser, pois ele nunca foi. Ele é.
Agora, e agora, e agora.....

quarta-feira, 16 de julho de 2008

o vazio e o copo

O vazio de uma alma
é sempre mais infinito que
o vazio de um copo de cerveja.

- [mesmo que a gente não queira, é assim que é].

quinta-feira, 10 de julho de 2008

O enterro da vontade sem nome

Eu queria um pé de laranja,
um ramo de jaboticabeira
e uma mangueira d'água.

Aí, eu pegava essa vontade sem nome
e enterrava lá,
junto com o passsarinho azul
que coloquei aos 12
do lado do pé de laranja,
com ramo de jaboticaba.

E regava.
E mandava rezar uma missa.
Com cruz e tudo.
Para ela nunca mais vortá...

passagem

Quando eu morrer,
quem vai me avisar que eu morri?

o saber

As pessoas sabem sobre muitas coisas.
Mas poucas sabem que essas coisas
são só coisas.
Objetos-inanimados.

a voz e a morte

"Hegel, assim como Heidegger, relacionou a capacidade de falar própria do ser humano com sua consciência sobre a morte. Morte que não era apenas o cessar de viver dos corpos vivos, mas um saber sobre o tempo e a finitude da vida que mudava a relação com a vida enquanto podia ser vivida. A condição humana, diferente dos outros animais vivos, era a sua separação da natureza por meio da linguagem. E a voz e a morte eram fatos da linguagem. A primeira levava à linguagem e a linguagem levava a um saber sobre a morte. Tratava-se de instâncias misteriosas para o homem, que estavam ligadas entre si por meio da linguagem."

Marcia Tiburi - revista simples

segunda-feira, 7 de julho de 2008

sábado, 5 de julho de 2008

reviravoltas

navegar...em alto mar...
é como viver sem saber onde aportar
é deixar levar
é deixar acontecer

é vento que leva tempo
é tempo que me leva com vento

é folha que esvai com o tempo
e faz reviravolta a cada movimento.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

desejos

Quando a gente pára de correr atrás,
a gente percebe que o sonho tava é do nosso lado.

giratório

na máquina elétrica do mundo
sempre tem
os que fazem café
e os que tomam

e eles podem não ser os mesmos,
mas é assim que é.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

passo-a-passo


Com passos e compassos, o grande Saturno se faz.

Em signos, me refaço. Desfaço. Embaraço.

Entre passos e amassos.

Eu faço.

terça-feira, 24 de junho de 2008

pensamento

Quando a gente pára para pensar na vida
a gente já deixa de viver um bocadinho dela.
Ou a gente toma consciência dela?
Do passado?
Do presente?
Do instante que se foi
E do que está por vir?
Quem foi que disse que penso, logo existo.
Eu existo, e por isso penso sobre isso.

instantes

Tem horas que quero parar o tempo
E congelar o momento para ele nunca mais se ir
E mudar
E deixar de ser.
Pois, o tempo, como tempo é,
Quando se vai
Quero dá-lo é um pontapé.

O fim que recomeça

"Estou atônito diante de teu túmulo
como estava atônito diante de teu berço"

De Marcelo Szpecktor
Pret-a-Porter-Coletanea 1 - Ponto de Retorno

sábado, 14 de junho de 2008

noturnos

Em trânsito.
Movimento estático.
Buzinas surdas.
Luzes cegas.
E radares....
Milhões de radares.

Não indicam direção.
Mas multam
quando a velocidade é
além da permitida.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

a piada

Tudo é brincadeira.
Até a vida.

Pois, se séria fosse,
não seríamos comidos pelos vermes
depois de anos batalhando e sofrendo
por projetos e amores.

Isso só pode ser uma piada!

sábado, 7 de junho de 2008

Poema Inacabado

"Este coração como uma união
que não se desfaz
partindo sem poder partir
sangrando sem poder sanar
ungindo a dois, em dois
o adeus, o amor para estancar o amar
partir a fonte, em meio a noite
parando para então deixar

este coração como uma união
que em si desfaz
partir para poder partir
sangrar para então sagrar
o adeus amor
em dois à deus
a noite a estancar o amar
fugir a fonte, em meio a morte
uma união que de si desfaz."

Texto do poeta Felipe Vaz

sexta-feira, 6 de junho de 2008

O sol morreu

"A onda ainda quebra na praia,
Espumas se misturam com o vento.
No dia em que ocê foi embora,
Eu fiquei
sentindo saudades do que não foi
Lembrando até do que eu não vivi
pensando em nós dois.

Eu lembro a concha em seu ouvido,
Trazendo o barulho do mar na areia.
No dia em que ocê foi embora,
Eu fiquei
sozinho olhando o sol morrer
Por entre as ruínas de santa cruz
lembrando nós dois.

Os edifícios abandonados,
As estradas sem ninguém,
Óleo queimado, as vigas na areia,
A lua nascendo por entre os fios dos teus cabelos,
Por entre os dedos da minha mão
passaram certezas e dúvidas
Pois no dia em que ocê foi embora,
Eu fiquei
sozinho no mundo, sem ter ninguém,
O último homem no dia em que o sol morreu."

Música: O último pôr-do-sol - Lenine

quinta-feira, 5 de junho de 2008

A janela aberta

Lá de dentro, dá para ver o mundo todo rodando. A ponte, os carros e os vizinhos gritando. E, pela primeira vez, eu me encontro no eixo. Encaixada - em alguma coisa que eu nem sei o que é. Indizível.
Mas verdadeiro.

O razão de ser inteiro

"Não quero ser razoável. Esta é a primeira palavra que se usa quando se vai fazer alguma coisa errada."

O ensaio - Jean Anouilh

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Ponto sem retorno

Em um certo ponto da estrada,
as curvas viram retas,
a velocidade aumenta,
o motor esquenta
e não há mais como dar setas,
nem voltar atrás.

Ou você bate.
Ou você sobrevive.

terça-feira, 3 de junho de 2008

O ensaio

"Eu sempre tive medo que me tocassem. Mas quando ele me tomou em seus braços, eu senti que finalmente tinha chegado a algum lugar...Eu deixei de ser uma moça pobre, sempre jogada de um lado para o outro, com uma mala na mão e medo de tudo...Passei a ser também dona de alguma coisa...O que mais eu podia esperar?"

Lucile - O ensaio, de Jean Anouilh

sábado, 31 de maio de 2008

salto vertical

A vida é
uma sucessão de saltos mortais.
Contínuos.
Que se desenham em movimento.
Rizomática.
Incessante.
Com giros
e piruetas.
O "entre"
o trampolim e
o mergulho n'água.
Que só cessa
quando a água seca.
E a gente deixa de flutuar.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

segunda-feira, 26 de maio de 2008

sensatez

Entrar em comunhão com o fluxo da vida é deixar de lado tudo aquilo que pode ser para viver aquilo que realmente é.

sábado, 24 de maio de 2008

o sonho

"Como saber que amor à vida não é uma ilusão? Como saber que aquele que teme a morte não se assemelha ao homem que foi embora de casa quando jovem e não pretende voltar?....Como saber que os mortos não se arrependerão da antiga ansiedade pela vida? Aqueles que sonham com um banquete à noite talvez na manhã seguinte chorem e se lamentem. Aqueles que sonham com lamentos e choro talvez na manhã seguinte saiam para caçar. Quando sonham, não sabem que estão sonhando. No sonho, podem inclusive interpretar seus sonhos. Somento quando estão despertos é que começam a perceber que sonharam. Logo vem o grande despertar, e então descobriremos que a vida é um grande sonho. Durante todo este tempo, os tolos consideram-se despertos e pensam que sabem. Com belas discriminações, fazem distinções entre príncipes e cavalariços. Como são tolos! Confúcio e você, ambos estão sonhando. Quando eu afirmo que você está sonhando, também eu estou sonhando."

Tao O curso do rio - de Alan Watts

terça-feira, 20 de maio de 2008

enviesada

imagem: (farofa/dubem)


Hoje é dia de lua cheia.
E, nessas noites, vira tudo do avesso.
Os gatos cantam em desafino,
luzes piscam no refletor acima,
vidros quebram,
tapetes dobram,
palavras saem
e eu bato a cabeça um pouco mais
de vezes que o habitual.

Eu gosto.

Como eu gosto dos forros
dos meus casacos...

(Mesmo os furados)

domingo, 18 de maio de 2008

a árvore da vida

O sorriso não era o mesmo. Nem o dele, nem o dela.
Tinha uma lágrima escorrida entre seus óculos.
Falavam de companheirismo e família com a certeza de que isso jamais seria possível existir entre eles. E a impossibilidade de vivenciar isso tornava essa possibilidade mais presente ainda. Eles viviam de ilusões. E era assim que se amavam. No fundo, sentiam ódio um pelo outro. Ódio de si mesmo. Ódio de ver a realidade e perceber que ela era bem diferente daquilo que haviam pensado, chorado e sofrido a distância por tanto tempo. A realidade era muito mais feia e sem graça. Ela sugava todas as forças e os jogavam no lixo. A realidade era que a árvore estava seca e a televisão quebrada. E só uma praga verde resistia no canto do vaso e a garantia da tv perdida em meio às papeladas do dia-a-dia. Eram tantas coisas. Eram tantos e nada.
Tinham a certeza de que aquilo que esquentava seus corações era real. O cheiro era real, o toque, o beijo, o sexo. Era no corpo que eles se encontravam. Lá, as fantasias tornavam-se realidade e eles podiam se amar sem pedir permissão um para o outro. Sem pedir permissão para mudar o sonho que um tinha feito do outro. Na cama os sonhos eram os mesmos. E isso fazia com que eles acreditassem que tudo aquilo era possível. Todo o resto. E eles continuavam regando, dia-a-dia, suas plantas. “Um dia elas brotarão”, pensavam juntos, ou “jogaremos os vasos pela janela”.
Elas ainda não brotaram. E eles continuam sentindo solidão um ao lado do outro. E se tornando cada vez mais parecidos. E temendo. E brigando. E se amando. Como nunca dantes.

a missão impossível

Eu amo.
E por isso enlouqueço.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

terça-feira, 13 de maio de 2008

O limite das coisas

Quando a alma cansa e o corpo enfraquece,
as idéias paralisam e o choro aparece,
é sinal de que não há mais nada a fazer,
a não ser o nada.

No chuveiro,
deito.
E,
por alguns segundos,
me esqueço.

domingo, 11 de maio de 2008

quarta-feira, 7 de maio de 2008

universo em desencanto

"Já virei calçada maltratada
e na virada quase nada
me restou a curtição.

Já rodei o mundo
quase mudo,
no entando, num segundo,
este livro veio à mão.

Já senti saudade...

Já fiz muita coisa errada..

Já dormi na rua...

Já pedi ajuda...

mas lendo atingi o bom senso,
mas lendo atingi o bom senso:
a imu-ni-za-ção racional."
Música: Tim M.

suspiro

Abaixo as máscaras de oxigênio
que eu quero respirar!!!

segunda-feira, 5 de maio de 2008

amorte

"Poucas coisas se parecem tanto com a morte do que o amor realizado."
Ivan Klima

"Não se pode aprender a amar,
como não se pode aprender a morrer.
Ambos aparecem, atacam desprevenidos."
M.R.P.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

coco rosiesss

Hoje coco rosie canta sorrisos dentro do coração!
As lágrimas foram enxugadas. Os olhares sinceros trocados.
E, em meio a saladas e petit gateaus, o desejo compartilhado
e a cumplicidade selada.
Hoje coco rosie não canta mais dores...
nem amores....
apenas a certeza de que a amizade
sempre retorna se há amor
neste longo, denso e circular
camino real.

terça-feira, 29 de abril de 2008

tenho que ir.

Imagem: Rodin
"Dentro de você e de mim,
ondas terríveis se formam.
Não estudei, mas sei que o mundo não pertence aos inocentes.
Se for possível, levaremos adiante.
Não tenho medo,
mas é porque nunca pude,
nunca soube como,
me ligar a ninguém.

Tenho que ir.
Nos vemos mais tarde."


Carmem de Godard

aurora de beethoven

Carmem
- Quando tudo se perder, o sol continua nascendo
e nós continuamos respirando...

Menino
- Isso se chama "Aurora", minha senhora.


Carmem de Godard

O amor e a idealização do verbo intransitivo

"DAN
- Fica, por favor. Você não vai voltar pra este cara! Pensa direito. Por que você não fica?

CAROL
- Porque não quero que você deixe de me amar."


"Amo-te", de Marcelo Rubens Paiva

segunda-feira, 28 de abril de 2008

do pranto fez-se o riso

os deuses me contaram que.....

"vai desabar água e é pra limpar,
desabar água pra limpar o que tem que limpar,
vai desabar água e é pro nosso bem!"

e eu acredito.

música: gero camilo

quinta-feira, 24 de abril de 2008

caiu na rede é peixe!

me ensinaram que a vida é rio e gente é peixe.
mas às vezes num dá peixe....
e a gente vira meio tartaruga meio jacaré.
e fica ali, estirada no barranco, tomando sol.....

terça-feira, 22 de abril de 2008

a raposa e as uvas

Imagem: Esopo/LaFontaine
O meu amor por ti é
uva verde na geladeira
doce
amarga
doce amargo
doce amarga
amarga
doce

é suculento
com sementes

é tantos
em cacho
encaixo
é raro, meu caro
é caro
e também delicioso

E dá medo
de morder
porque pode ser além,
ou azedo.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

a 15 dias da estréia......







"Sensação de segurança não significa efetivamente seguro"

PRET-À-PORTER - COLETÂNEA 1
Eu, Marcelo Szpektor, Emerson e Arieta

Estréia dia 6 de maio (terça), no SESC PAULISTA, às 19h30.
Todas as terças.
Fotos: Emídio Luisi e Carlos Rennó

batidas na cabeça - parte 3

literalmente.
do balcão para testa.
bem no meio de mim.
tem um rombo.
um monte grande assim.
que dói....dói.....dói........

domingo, 20 de abril de 2008

rumo ao invisível

"Trinta raios convergentes no centro
Tem uma roda,
Mas somente os vácuos entre os raios
É que facultam seu movimento.
O oleiro faz um vaso, manipulando a argila,
Mas é o oco do vaso que lhe dá utilidade.
Paredes são massas com portas e janelas,
Mas somente o vácuo entre as massas
Lhes dá utilidade -
Assim são as coisas físicas,
Que parecem ser o principal,
Mas o seu valor está no metafísico."

Tao Te Ching/Lao-Tsé

sábado, 19 de abril de 2008

a teia e o nó


.....um monte de agulhas espetadas numa almofada verde de veludo esperando para serem conectadas e amarradas por um único fio de de barbante branco.........elas tem cores e tamanhos diferentes e ficam situadas em distâncias bem distintas também.....e a tensão do barbante entre elas vai se modificando de acordo com a importância e o valor que eu dou a cada uma delas.......e a expectativa que eu tenho de fazer alguma coisa com isso.....

sexta-feira, 18 de abril de 2008

o caos....

As "Últimas notícias de uma história só":

Um ônibus que bate, um corpo que cai, uma punheta no chão.
Um camelô que corre, uma arma que ama, uma morte com grana.
Um bilhete premiado.
Ou não.

O acaso.
O encontro.
O caos.
O pranto.
Gol.

Valeu pelos jogadores Gruli, Gatti, Mel e Bianchi.
E obrigada pelo técnico Otávio Martins.

Em cartaz:
Teatro Augusta
De quarta a sexta, 21h

Recomendo.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

gambiarra grulesca....


Alex Gruli, Anna Cecília Junqueira, Edú Reyes,
Miro Rizzo, Talita Castro e Tuca Notarnicola

convidam para
Gambiarra - A Festa!!!!
Domingo
20 de abril
VÉSPERA DE FERIADO!!!!!!!

http://gambiarra.afesta.nafoto.net/
100.000 acessos!
As primeiras 200 pessoas ganham uma caipiroska de frutas vermelhas na entrada,
afinal é ANIVERSÁRIO DO GRULI!!!!!
Com o DJ Convidado Ivam Cabral!!!
Aniversários de Alex Gruli, Fábio Penna, Guta Ruiz e Lígia Chaim!!!
Comemorando o Fim da Temporada
no SESC Paulista de
Cachorro, do grupo Teatro Independente (RJ)!!!
Até domingo!!
Bjuss

segunda-feira, 14 de abril de 2008

quinta-feira, 10 de abril de 2008

batidas na cabeça - parte 1

Foi numa festa.
E tudo o que eu tinha combinado
já havia se descombinado.
E eu já estava com dores, na barriga.
E eu fiquei ali parada, sozinha, pensando:
Onde foi que eu deixei meus óculos??
E fugi,
meio sem perna,
meio sem coração.
Aí no carro dei uma chacoalhada na cachola
para ver se as coisas voltavam pro lugar.
Foi em vão.

sábado, 5 de abril de 2008

sexta-feira, 4 de abril de 2008

por trás do dito

cada vez mais tenho a certeza de que "um olhar vale mais que mil palavras" é a mais sábia das verdades escondidas na alma de um homem.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

segunda-feira, 31 de março de 2008

sorriso de plástico

- Oi, me conta uma piada. Quero rir.
(ouve a piada e não ri)
- Conta, por favor.
(ouve outra e não ri)
- Conta vai!!!
(ouve mais uma e permance em silêncio)
- COOONTAAAA!!
O outro responde:
- Puta que pariu!!! Como você é chata e sem graça!!!!
(E sai. Ela ri. Muito. Gargalha)

encruzilhada

onde fica o limite do ser humano?
ainda não encontrei essa placa de sinalização.....

cada prisma

a beleza e a crueldade de ser
é saber que, apesar de tudo,
e de todos, da música e dos almoços,
continuamos sozinhos.
até a morte.

e que a cada gesto,
palavra ou risada,
se constrói uma história
minha,
sua,
deles.

e mesmo se juntássemos todas,
mesmo assim, nunca chegaríamos numa.

somos prisma.
refletimos luz.
e colorimos todos.

cada um
a cada um.

e todos.
e todas.

sábado, 29 de março de 2008

Estréia do Senhora dos Afogados

Ontem a Nau dos Insensatos Rodrigueana do CPT aportou em terra firme! E iluminou o Teatro Anchieta de ironia e lapsos.
Foi lindo....
Processo denso,
que me levou às profundezas
para retornar à proa.
Viva. Muito Viva.

Tem lógica.

SENHORA DOS AFOGADOS
de Nelson Rodrigues
Direção de Antunes Filho
Sexta e sábado às 21h
Domingo às 19h
Teatro Sesc Anchieta
R. Dr. Vila Nova, 245
Tel: 3234-3000

terça-feira, 25 de março de 2008

bossa nova

Se o equilíbrio da alma humana
fosse medido pela voz,
eu diria que
muitas vezes
eu acordo desafinada.

Pois, como o tom
do Tom,
no meu peito
também bate um coração.

segunda-feira, 24 de março de 2008

pancadas na cabeça

às vezes rio com choro
e choro com riso.

tudo ao mesmo tempo.

torta-ruga

tartaruga
tortaruga
torta
encolhe os braços que abraçam
enruga os olhos que vêem
coloca o rabo para dentro
lento...lento.....lento....
e se fecha na casca oca
e dura.
E dura.....

domingo, 23 de março de 2008

sei lá...

"Tem dias que eu fico pensando na vida
E sinceramente não vejo saída.
Como é, por exemplo, que dá pra entender:
A gente mal nasce, começa a morrer.

Depois da chegada vem sempre a partida,
Porque não há nada sem separação.

Sei lá, sei lá, a vida é uma grande ilusão.
Sei lá, sei lá, só sei que ela está com a razão.

A gente nem sabe que males se apronta.
Fazendo de conta, fingindo esquecer
Que nada renasce antes que se acabe,
E o sol que desponta tem que anoitecer.

De nada adianta ficar-se de fora.
A hora do sim é o descuido do não.

Sei lá, sei lá, só sei que é preciso paixão.
Sei lá, sei lá, a vida tem sempre razão."

- "Sei lá....a vida tem sempre razão" (toquinho/vinícius de moraes) -

quinta-feira, 20 de março de 2008

terça-feira, 18 de março de 2008

com elis

elis, resume o que tá aqui dentro:

"Não quero lhe falar
Meu grande amor
Das coisas que aprendi
Nos discos...
Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar
Eu sei que o amor
É uma coisa boa
Mas também sei
Que qualquer canto
É menor do que a vida
De qualquer pessoa...
Por isso cuidado meu bem
Há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal
Está fechado prá nós
Que somos jovens...
Para abraçar seu irmão
E beijar sua menina, na rua
É que se fez, o seu braço
O seu lábio e a sua voz...
Você me pergunta
Pela minha paixão
Digo que estou encantada
Como uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pr'o sertão
Pois vejo vir vindo no vento
Cheiro da nova estação
Eu sei de tudo na ferida viva
Do meu coração...
Já faz tempo
Eu vi você na rua
Cabelo ao vento
Gente jovem reunida
Na parede da memória
Essa lembrança
É o quadro que dói mais...
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como
Os Nossos Pais...
Nossos ídolos
Ainda são os mesmos
E as aparências
Não enganam não
Você diz que depois
não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer
Que eu tô por fora
Ou então
Que eu tô inventando...
Mas é você
Que ama o passado
E que não vê
É você
Que ama o passado
E que não vê
Que o novo sempre vem...
Hoje eu sei
Que quem me deu a idéia
De uma nova consciência
E juventude
Tá em casa
Guardado por Deus
Contando vil metal...
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Nós ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como Os Nossos Pais..."

auto-mutila-ação

A faca corta o pulso, a garganta, a coerência.
o sangue corre pelo corpo, pela alma.
A decadência.
O caminho atraente é tortuoso.
É lancinante.
A solidão vira pós na antemão do prazer.
Imediato.
Alucinação.
Viagem vida sem sentido.
Não lembro nomes, datas, nem horas.
Passa sem sentido por mim a vontade de não sei o quê.
O choro escorre.
O sangue dolore.
E a alma fica escura. Negra.
Perco os sentidos.
Multi-personalidade.
Dupla vontade.
Sem caminhos dentro de si.
E tantos do lado de fora.
Cega fico.
Cega pinto, com carvão.
Rabiscos de sinais enviados.
Preto no branco.
Tá tudo cinza.

segunda-feira, 17 de março de 2008

pronto-socorrido

Hoje tá tudo branco por fora.
E por dentro uma cor que só.
Ou, uma dor que só.

É que dor com cor
dá DC: "destinado à confusão"

Destruam as ambulâncias
que minha alma tá ficando colorida!

sexta-feira, 14 de março de 2008

ave migratória

Penso agora em avestruz.
Em ser avestruz.
Com pele, couro e penas.

E poder esconder a minha cabeça na areia ao primeiro sinal de perigo.



quebra-gelo

São Paulo hoje ficou mais cinza.
Mais com jeito de geladeira de duas portas.
Freezer. Fábrica de gelos. E depósito de left-over.

São Paulo hoje ficou mais vazia.
Tanta gente sexta-feira.
E cheia de solidão.

São Paulo hoje me fez chorar.
Corpos largados na rua.
Carros parados, gente nua.
Gente-fome. Sem nome
E cheia de senão.

São Paulo hoje trancou as portas e jogou as chaves no Tietê.
Não sobrou peixe, nem mato, nem flor.
Sobrou só o meu quarto. Quieto. Oco. Só.

Ou foi meu coração?

quinta-feira, 13 de março de 2008

tem mais gambiarra-afesta domingo - dia 16!!


Domingo está chegando......

e eu, Alex Gruli, Edú Reyes, Miro Rizzo, Talita Castro e Tuca Notarnicola convidamos para mais um encontro!!

(Veja as fotos do último domingo e endereço do local no http://gambiarra.afesta.nafoto.net/)]


GAMBIARRA - A FESTA!!!!

16 de Março

Com o DJ Convidado FÁBIO OCK!!!


Aniversários de Rodrigo Bolzan e Ana Carina Linares!

Comemorando o fim da temporada da peça

ALDEOTAS!!!


Entrada: só R$ 5,00 até 23h, depois R$ 7,00.

Bjinhos e espero vcs!!!!

domingo, 9 de março de 2008

eu uso óculos, de grau

estou míope de dois olhos
meio claro, meio escuro
meio grau

embaçada a vida tá
que vira a vista
de fora
para dentro
e faz ver a lesma
vesga
que sou

estou caracól-caramujo de aro grosso
com lentes que refletem a dúvida
e mexem no meu olhar
sobre as placas das ruas
de nomes tão pequenos
e significados tão.......tão........

Cadê meus óculos???

mundo grande

"Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso freqüento jornais, me exponho cruamente nas livrarias:

preciso de todos.

Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.
Tu sabes como é grande o mundo.
Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão.

Viste as diferentes cores dos homens,
as diferentes dores dos homens,
sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso
num só peito de homem....sem que ele estale.

Fecha os olhos e esquece.
Escuta a água nos vidros,
tão calma. Não anuncia nada.
Entretanto escorre nas mãos,
tão calma! vai inundando tudo...
Renascerão as cidades submersas?
Os homens submersos - voltarão?

Meu coração não sabe.
Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.
Só agora descubro
como é triste ignorar certas coisas.
(Na solidão de indivíduo desaprendi a linguagem
com que homens se comunicam.)

Outrora escutei os anjos,
as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente.
Em verdade sou muito pobre.

Outrora viajei
países imaginários, fáceis de habitar,
ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio.

Meus amigos foram às ilhas.
Ilhas perdem o homem.
Entretanto alguns se salvaram e
trouxeram a notícia
de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias,

entre o fogo e o amor.

Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
entre a vida e o fogo,
meu coração cresce dez metros e explode.
- Ó vida futura! nós te criaremos."

- carlos drummond de andrade -

sábado, 8 de março de 2008

sexta-feira, 7 de março de 2008

da dor ao louvor

e assim se fez a dor:
um bocado de ansiedade, mais um pouco de retensão,
uma pitada de desentendimento com mais um pouco de pressão,
e uma porção de coisas mal entendidas dentro de si.

então:
tomou bombas antinflamatórias para não se queimar
e algumas cápsulas de antibiótico para combater
a urina que teimava em queimar seus órgãos internos.

e assim se Fez, com louvor:
jogou toda a merda no ventilador. E brincou.

gambiarra da mulher do trem

Este domingo (9/3) tem mais GAMBIARRA!!
Para quem ainda não foi, dá uma checada nos caricatos enlouquecidos que estavam na última! http://gambiarra.afesta.nafoto.net/
Ou melhor, apareça este domingo para "bailar" e/ou tomar comigo!!!
Saudades dos que vejo pouco....
Eu, Alex Gruli, Talita Castro, Edu Reyes, Miro Rizzo e Tuca Notarnicola que organizamos.
E é todo domingo!
GAMBIARRA - A FESTA
Salvador Dali - Rua João Adolfo, 126(entre a Trash 80 e o Hotel Cambridge)
R$ 5,00 até 23:00 h. / R$ 7,00 após
Cerveja a R$ 3,00 e Caipiroska a R$ 6,00
ANIVERSARIANTES:
MIRO RIZZO
ERNANI SANCHES
DAN KFOURI
JP STRANG SIMI
e ENCERRAMENTO DA PEÇA:
A MULHER DO TREM, dos Os Fofos Encenam

sábado, 1 de março de 2008

em busca da origem do café torrado

E hoje ouvi essa:
Vivemos numa "sociedade nescafé"

E eu me pergunto:
Quando vamos ter tempo
de criar tempo
para moer, coar e encontrar
o nosso velho bule de latão amassado
que deixamos na despensa da casa antiga
que foi posta à venda ao mercado
em leilões públicos!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

festinha domingo!


Sabe aquela festança que a gente tava esperando pra se encontrar?Entonces, vai rolar!!
Eu, Alex Gruli, Talita Castro, Edu Reyes, Miro Rizzo e Tuca Notarnicola organizamos.

E é todo domingo!!
Estréia agora dia 02 de março!!!

GAMBIARRA - A FESTA
Salvador Dali - Rua João Adolfo, 126(entre a Trash 80 e o Hotel Cambridge)
R$ 5,00 até 23:00 h. / R$ 7,00 após
Cerveja a R$ 3,00 e Caipiroska a R$ 6,00

Te espero lá...bjinhos!

o vento no canavial

"Não se vê no canavial
nenhuma planta com nome;
nenhuma planta maria,
planta com nome de homem.
É anônimo o canavial,
sem feições, como a campina;
é como um mar sem navios,
papel em branco de escrita.

É como um grande lençol
sem dobras e sem bainha;
penugem de moça ao sol,
roupa lavada estendida.

Contudo há no canavial
oculta fisionomia:
como em pulso de relógio
há possível melodia,

ou como de um avião,
a paisagem se organiza,
ou há finos desenhos nas
pedras da praça vazia.

Se venta no canavial
estendido sob o sol
seu tecido inanimado
faz-se sensível lençol,

se muda em bandeira viva,
de cor verde sobre verde,
com estrelas verdes que
no verde nascem, se perdem.

Não lembra o canavial
então, as praças vazias:
não tem, como têm as pedras,
disciplina de milícias.

É solta sua simetria:
como a das ondas na areia
ou as ondas da multidão
lutando na praça cheia.

Então, é da praça cheia
que o canavial é a imagem:
vêem-se as mesmas correntes
que se fazem e desfazem,
voragens que se desatam,
redemoinhos iguais,
estrelas iguais àquelas
que o povo na praça faz."

- joão cabral de melo neto -

domingo, 24 de fevereiro de 2008

cogumelo atômico

Às vezes faço de mim bomba
e meu corpo se esfacela em Hiroshima.
Minha mente se afoga em pensamentos sombrios
e minha alma pede vela para rezar de joelhos.
Nessas horas, onde a noite parece cedo e o dia tarde,
eu me pergunto: por quê?
os modos adquiridos
a linguagem viciada
a cara mascarada e,
por fim, e talvez por causa
do fim, o medo da morte.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

o argumento do tempo

Tá legal
Tá legal, eu aceito o argumento
Mas não me altere o samba tanto assim
Olha que a rapaziada está sentindo a falta
De um cavaco, de um pandeiro ou de um tamborim
Sem preconceito ou mania de passado
Sem querer ficar do lado de quem não quer navegar
Faça como um velho marinheiro
Que durante o nevoeiro
Leva o barco devagar

- paulinho da viola -

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

O mergulho

Chegou perto do abismo. Parou. Olhou. E não pensou.
Mergulhou-se inteira.
Molhada. Saiu vazia.
E sentiu - não medo, mas o vazio da morte.
O vazio da felicidade. Pleno e eterno.
Do eterno devir.
Do que és ali.
E do que está aqui.
Do gozo.
Escancarada.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Donde? Quien lo sabe?

e no terceiro sinal
as luzes se acenderam
e o pesadelo acabou

não era uma noite como outras
tinha febre
e vacilava
entre o grau sido
e o que estava por vir

estava de cama
sem movimentos
sem cores, cantos ou textos

restava apenas
o que dela já não sabia mais se era
e um pedaço de pão no bolso
para alimentar
o novo caminho
que estava por vir

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

a relatividade da vida

no fim tudo não passa de uma aparente caminhada
Quando se está quente, parece longa.
Quando se está acompanhada, parece pouca.
Quanto se está de mochila, faz peso demais.
Quando se está de óculos, nada é o que parece.
Quando se está sozinha, sempre aparece alguém.
Quando se está em turma, nunca se anda no mesmo ritmo.
Quando se está com sede, a água fica mais salgada.
Quando se está com fome, o horizonte fica mais longe.
Quando se está de chinelo, dá vontade de pisar na areia.
Quando se anda na areia, queria ter ido de tênis.
Quando se está começando, a pedra fica longe.
Quando volta, o sol já se pôs.
E quando deita, já à noite, a areia fria e a lua cheia
faz querer tudo de novo outra vez.
Pedra
Pedidos
Sol
Areia
e o mar
no vai e vém
zunzunando
a noite inteira

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Emília e o Visconde de Sabugosa

- A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca.
A gente nasce, isto é, começa a piscar.
Quem pára de piscar, chegou ao fim, morreu.
Piscar é abrir e fechar os olhos - viver é isso.
É um dorme e acorda, dorme e acorda,
até que dorme e não acorda mais.[...]
A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso.
Um rosário de piscadas.
Cada pisco é um dia. Pisca e mama; pisca e brinca;
pisca e estuda; pisca e ama; pisca e cria filhos;
pisca e geme os reumatismos;
por fim pisca pela última vez e morre.
- E depois que morre? - perguntou o Visconde.
- Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?
(monteiro lobato)

sábado, 9 de fevereiro de 2008

mortus consumistas

"O dinheiro compra a cama, mas não compra o sono" - trabalhador rural do interior de Minas

Gilles Lipovetsky, pensador frances, está em voga.
Em seu livro "Felicidade Paradoxal" ele aponta que hoje todos nós vivemos os indícios aparentes da felicidade (vivemos mais, temos a sexualidade livre, boa saúde, bem estar, vivemos em um país livre, etc), mas ao mesmo tempo, não somos felizes. E por quê? Entre idas e vindas, ele de certa forma transita entre aceitar a sociedade do espetáculo e do consumo (e aprender a sobreviver nela, aceitando os prazeres e/ou desejando-os) e apontar os desastres que ela pode causar em uma sociedade, um mundo, onde a distribuicao de renda, do capital, é desigual.
Eu me pergunto - não seria ele o próprio exemplo da modificacao dessa sociedade? Um exemplo da decadência dessa sociedade hiperconsumista, superficial, intermediada por interesses e imagens? Onde o nosso próprio filósofo contemporâneo, pensador, referência hoje mundial, que ministra palestras no mundo todo, perde-se entre o prazer individual de si mesmo e a avaliacao de um mundo em que as regras do mercado e do capital valem mais que a felicidade construída a partir das relacões humanas e pessoais? Onde o próprio filósofo se coloca em cima do muro entre a postura crítica e seu próprio modo de vida. Onde ele mesmo se encontra entregue à democracia do vazio, em que nada satifaz, nada preenche, nada é real ou verdadeiro.
E nós? E você que lê esta coluna agora não estaria já criando uma imagem a partir do verdadeiro significado entre eu e você? Entre eu e o filósofo, entre o filósofo e você?
É preciso falar. É preciso conversar. Trocar.
Talvez nunca tenhamos as respostas. Talvez as respostas sejam formuladas daqui a 100 anos, quando nós já não estivermos aqui. Talvez nem o mundo esteja mais aqui.
Não seria a tentativa de achar uma resposta ou um rótulo o nosso próprio desejo alienado de encontrar a nossa marca?
Perguntas, perguntas....acho que estamos vivos no meio de alguns já mortos.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

a coisa e o tempo

Quando se tem muita coisa na cabeça
e pouco tempo no relógio
O melhor é pegar o relógio
e tirar da cabeça
para encontrar o tempo
entre o pensar em fazer
e o fazer em si
e ver se muda
essa coisa da cabeça
para coisa feita

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Carne-vale

Entre carnes e vales, fico com os bonecos gigantes.
Em cores de chita, e tamanhos espetaculares, resgatam a origem daquilo
que se convencionou como brincadeiras de carnaval:
marchinhas, fantasias, confetes e serpentinas.
Pena que hoje as carnes valem mais que as brincadeiras.
As fantasias viraram tapa-sexos.
O lança-perfume não passa de uma relíquia.
E aperto de mão virou beijo na boca.
E que fiquem as marchinhas!
Como essa do "Barbosa", uma das mais conhecidas
de São Luis do Paraitinga, sobre um motorista de ônibus:
"Ô ô Barbosa, essa curva é perigosa.
Siga em frente nessa linha que eu vou contar para tia Rosa.
Ô ô Barbosa, ai que dor no coração.
Ô ô Barbosa, mete o pé nesse bondão"

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Ser e parecer


Eu acho esquisito esse negócio de ser exatamento aquilo que a gente não é. As pessoas passam, com chapéu e cachicol encaracolado, sorriem colgates brilhantes e comentam sobre o último trabalho que metralharam ou a viagem ma-ra-vi-lho-sa que fizeram no último feriado. Parece que a gente vive um BBB alive, onde cada um tem que encontrar o seu papel, o seu lugar, mesmo que esse lugar seja o lugar do outro, e não o seu. Essa coisa de ser aquilo que lhe parece leva a gente a parecer mais do que ser. Eu não gosto nada disso. Se o verbo parecer fosse verdadeiro seria pareser, de para-ser, e não parecer. Parecer me lembra padecer.....padecido...sido..ido...já era. E essa coisa de viver aquilo que não te apetece leva a gente a ter mais apetite daquilo que não te merece. É como se saísse do trilho. Descarrilhado na vontade e no desejo de ser, de ter, de querer. É como ter vontade de viver embaixo d`'agua mesmo tendo nascido borboleta. É como acreditar ser cavalo marinho sendo cavalo da terra. É como ser o protótipo de si mesmo, o simulacro do próprio coracão. Dá dor de dente, dor de cabeca, dor de érnia de disco. Disco riscado do dia-a-dia. Repete, repete, repete. Sempre a mesma frase e nunca a música inteira. Não vai até o talo. E eu gosto de ir até o talo. Até porque nunca vi árvore crescer e florir sem ter um talo bem enraizado. Sem ir até o talo, o vento bate e leva até o pó.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Sobre importâncias da Segunda Infância

imagem: martha barros

Hoje cheguei em casa com vontade de cheiro de chuva e terra molhada. Estiquei o braço e peguei o Manoel, de Barros.
E ele me falou:
"que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica nem com balanças nem com barômetros etc. Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós".
E eu acreditei.
Pois, como ele me disse outro dia, "tudo o que não invento é falso".

domingo, 27 de janeiro de 2008

O vazio de sermos um só

O rosto dela já não era o mesmo. Ela sentia a vida na sua crueldade e não tentava mais se enganar. Parecia tudo mais claro, cru. As pessoas eram outras. Ela era outra.
Fazia-se pensar que assim a vida é e assim temos que aceitá-la. Pobre pequena condição humana. Aceitar o que lhe cabia parecia tão pouco, tão ínfimo perto da imensidão da sua criatividade e capacidade de imaginar as coisas.

Aceitar sua condição de ser a partir do outro e saber que o outro nunca poderá ser aquilo que ela deseja ser em si mesma. A individuação do ser humano. A certeza de que todos estamos sós, apesar de não querermos ver. As pessoas ligavam a televisão para não ver. Isso a irritava. A falsa sensação de segurança.

A solidão a apavorava. A incapacidade de dividir o pavor da solidão a apavorava mais ainda. Era impossível descrever aquilo que se passava dentro dela. Ela tinha medo de baratas, ratos, família de ratos. Ela tinha pesadelos. Ela tinha impulsos suicidas de sonhos. Ela via coisas que os outros não viam. E os outros viam cores que ela não via. Os outros e ela nunca veriam as mesmas coisas e isso, ao mesmo tempo que a fascinava, lhe dava medo.

Ela gostava de ficar só. De olhar para a parede branca da sala e lá colocar as coisas que queria viver naquele momento. Ela gostava de tomar banho para poder cantar no seu próprio tom. Para recuperar sua face, seu corpo. Não é que não gostava de gente. Amava. Saboreava o samba, o sexo, a conversa entre amigos. Mas, de vez em quando, quando a realidade já não parecia bastar, ela se fechava em casa e criava o seu dia. Ou a sua noite. Fazia-se companheira de si mesma.

Ela se perguntava quando era que isso acontecia com mais frequência e pressentia que era quando se doava e se misturava aos outros. Ela gostava de tocar as pessoas para saber o limite entre ela e o outro. Para se delinear no espaço. Para se sentir uno. Mas depois da multidão ela sempre voltava para a parede branca e a xícara de chá amarela que guardava no armário. Ela buscava nela aquilo que havia colhido de si através do outro. E se ela não existisse? E se tudo aquilo fosse um sonho, ou uma outra realidade? Como ter a certeza de que você existe? O que é existir? Essas perguntas a assombravam. E ela não conseguia evitar encontrá-las todos os dias.

Às vezes, em dias em que a cabeça já não suportava o pensar, ela se entregava aos goles em busca da alienação do álcool. Ela sabia que era uma fuga. E ela se odiava por isso. Por ter medo do vazio, apesar de atraída. E depois de embriagar-se e de fingir existir dentro de alguma estrutura social, ela voltava para casa, para a parede branca e a xícara de chá.

Com o tempo, a parede branca foi ficando mais branca e o gosto do chá começou a ficar amargo. Aí ela pegou um pincel colorido e um saquinho de adoçante. E pensou como seria se ela conseguisse enfrentar o vazio.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

A vida dos outros

De que vale o homem sem a integridade e o caráter?
De que vale um amor sem cumplicidade?
De que vale a luta sem a dignidade?

De que vale a vida sem acordos sinceros?
De que vale uma palavra com mentira e falsidade?
De que vale a vida sem contratos cumpridos?
Vale um corpo em farrapos,
um uísque na sarjeta e
uma pessoa desfeita

Fica aqui a dica:
Filme "A vida dos outros"

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

O risco do pensar


cinema: curta-metragem Transviado Ouro

Personagem: Ginny

Ensaio

Segue aqui o link do Blog do diretor Fernando Oliveira, que dirigiu o curta-metragem "Transviado Ouro", inspirado no conto "Toda trepada que se queira dar", de Charles Bukowski, do qual participei como atriz. Experiência maravilhosa que entrou no quesito os 10+ de 2007, tanto pelo trabalho em si como pelas pessoas que encontrei.

Guerreiros da arte, do riso, do risco e da parceria.
Vale uma clicada. É puro ouro!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

sabedoria de vida


Durma depois do almoço
Converse com as plantas
Sonhe com as pessoas queridas que já se foram
Não tome muito leite nem coma mixirica em demasiado
Ria muito
Ria sempre
Brinque com as crianças
Não deixe as portas da casa fechadas
Faça exercícios durante o banho
Faça as unhas regularmente
Ame a sua família
Arranje tempo para seus amigos
Cuide de você mesmo
Interesse-se pelos assuntos cotidianos,
mas não se prenda à eles
Ore, seja para um deus, um orixá ou a natureza
Seja compreensivo
Tome chá
Escute os mais velhos
Escute os mais novos
Leia livros
Converse com pessoas desconhecidas
Acredite no mistério
Acredite em você mesmo

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

fiapo de pensamento, parte 2:

tudo na vida uma hora acaba.
contente-se com o que foi,
com o que está sendo e com o que há de vir.

pensamento do dia:

"chupa que eu digito"

Aos irmãos

O trio,
elétrico passou.
Construiu casa,
carinho e risada.
Tinha supermercado
e conta a ser paga.
Conversa à noite
e viagem de madrugada,
e muita cumplicidade a
cada luz apagada.
Hoje, tenho um
buraco no meu asfalto,
cheio de "teres" e "fazeres".
E dentro dele a lembrança de
termos sido crianças.
E a saudade de um tempo
em que a compreensão do indivíduo
era apenas uma idéia abstrata.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

canibalismo

A tua face reflete a minha
rosto-meu com olhos teus
sinto a fome dos teus olhos
e devoro-me
e devoro-te
A imagem do rosto meu
a refletir o olhar teu.

jogos mentais

Deram-me mãos e pés
palavras suadas
risadas e dentes brancos.
Descendo barrancos
sigo o plexo sem nexo
que construo mentalmente.
Jogos do imaginário
que me conduzem para
raios, trovões e tempestades,
à espera do cheiro de chuva
que fica na grama quando o
sol se abre e espanta
as nuvens negras da confusão.

Coa-dores

Tem dor que cala fundo no peito.
A boca aquece, a língua endurece
e o rosto, gélido, permanece.
Não há movimento físico,
mas
a física do movimento.
Que bate, bate, bate, bate....
muda.
Que bate, bate, bate, bate....
dura
de gelo.
Pedras cristalinas da dor
de não poder ser dor.
E que dor
Um ardor
Ar-dor
Que sopra
Supra
Super
Sufoca
Enforca
o movimento do coração
Inação, indolor, quase sem ser dor.
Um ardor
Ar-dor
Que sopra
Supra
Super
Sufoca
Enforca.

Abaixo os coadores de café amargo!!!!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

A superação da rima

Esse ano não vai ter choro nem vela
Vou voar sobre as aquarelas
E pintar a face que me pertence
Não vai ter rédea, nem senões, nem porquês.
Cair no abismo sem fio que amarra
e dar asas à minha imaginação
para poder, assim, saber a distância de lá pro chão.
Aí, vendo o chão, lá do alto, sozinha,
Vou desenhar os caminhos meus
com os frutos das árvores que semeei
E quando as flores começarem a se abrir
De rasante vou ao chão
Colher as cores, as flores e os cheiros
E sair dançando com um buquê na mão
De girassóis. De giramundo.
E rodar o mundo. Vasto mundo.
E fazer. E fazer. E ser.
Não mais uma Raimunda.