sábado, 21 de janeiro de 2017

O silêncio da noite.

O silêncio da noite é o aconchego da alma.
Deixa, deixa, deixa.
Ficar.
Quietinha.
Psiu.
Tá tudo bem aí.
Confia.

O fantástico meu mundo.

O fantástico mundo de cá.

Aqui, nem sempre tem sol
e quando há chuva
é como hoje lá fora: ininterrupta.

Aqui, se namora toda hora
e se transa a dois, a três, a toda hora.
Mas também tem romance e coração partido.
E vontade de só pegar na mão do amor esquecido.

Aqui subo no palco toda noite
mesmo vestindo pijama rasgado pelo gato.
E crio casos que me mandam serenatas, vasos de flores
e declarações de amores. Por correio.

Aqui nesse mundo se houve jazz nas madrugadas
ao som do piano velho que fica na sala.
Uma jam particular, só para mim.
E, de preferência, com um músico de barba mal feita.

Aqui neste mundo eu canto como Elis,
e, às vezes, também, vivo o medo dela.
Olho para o copo e fecho os olhos na beira da janela.
E penso que voar pode até ser bom.

Aqui também tem dia de Frida e lembrança de dores nunca esquecidas.
Dores físicas, emocionais e casos ocasionais.
E coloco flores na cabeça para ver se o peso fica leve
e fumo charuto para espantar a inveja.

No mundo de cá eu escrevo todas as noites
e publico livros e canções falando das dores.
E as pessoas sabem quais as dores.
E acolhem.

No fantástico mundo de cá
tem tudo do não dito,
um pouco do percebido
e nada do que é falado.

Porque é o meu mundo. De cá.



À venda.

Depois de muito tanto faz e tanto fez, finalmente, pôs tudo à venda.
A casa, os móveis, as verdades, os medos, as dúvidas
e tudo mais nela que juntava pó.
E com ela, só ficou o miojo
e o Logan com gelo para tilintar o pensamento.